Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, venceu a eleição presidencial deste domingo, 25 de outubro, e conquistou seu quarto mandato à frente do Brasil. Com 98,27% das urnas apuradas, o presidente tinha aproximadamente 51,75% dos votos válidos, contra 48,25% de Flávio Bolsonaro, do PL. Os percentuais ainda estavam sujeitos a atualização até a conclusão da contagem.
O resultado representa uma recuperação em relação ao primeiro turno, quando Flávio terminou na liderança, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. Com a vitória, o petista assegura a continuidade de seu governo para o período de 2027 a 2030.
A votação terminou em meio à controvérsia sobre a ampliação do horário até as 19h. A determinação, motivada por relatos de dificuldades no transporte de eleitores, provocou impasses em seções que já haviam encerrado os trabalhos e uma interrupção temporária na divulgação da apuração. Os problemas operacionais exigem esclarecimentos, mas não constituem, isoladamente, comprovação de fraude.
Da infância em Pernambuco às greves do ABC
Nascido em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns, Pernambuco, Lula migrou ainda criança com a família para São Paulo. De origem pobre, trabalhou como metalúrgico e encontrou no movimento sindical o caminho para a vida pública.
Sua projeção nacional ganhou força no final dos anos 1970, quando liderou greves de trabalhadores do ABC paulista durante a ditadura militar. Em 1980, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores. Seis anos depois, foi eleito deputado federal constituinte.
A chegada à Presidência exigiu quatro campanhas. Lula perdeu para Fernando Collor em 1989 e para Fernando Henrique Cardoso em 1994 e 1998. Em 2002, venceu José Serra e foi eleito presidente pela primeira vez.
Em 2006, conquistou a reeleição ao derrotar Geraldo Alckmin, que anos depois se tornaria seu aliado e vice-presidente.
Avanços sociais e escândalos marcaram os primeiros governos
Os dois primeiros mandatos, entre 2003 e 2010, foram marcados pela expansão das políticas sociais, valorização do salário mínimo, ampliação do crédito e crescimento do emprego. O Bolsa Família tornou-se uma das principais marcas de sua administração.
O período também foi atravessado por crises políticas. O escândalo do mensalão atingiu dirigentes do PT e aliados, provocando condenações e desgaste para o partido. Lula deixou o governo mantendo forte apoio popular e ajudou a eleger sua sucessora, Dilma Rousseff.
Prisão, anulação das condenações e retorno ao Planalto
Nos anos seguintes, Lula passou a ocupar o centro das investigações da Operação Lava Jato. Foi condenado e preso em 2018, ficando impedido de disputar a eleição presidencial daquele ano.
Em 2021, as condenações foram anuladas porque a Justiça Federal de Curitiba foi considerada incompetente para julgar os processos. Em decisão distinta, foi reconhecida a parcialidade do então juiz Sergio Moro na condução do caso do triplex.
Com os direitos políticos restabelecidos, Lula disputou a eleição de 2022 e derrotou Jair Bolsonaro, retornando ao Palácio do Planalto em janeiro de 2023.
Quarto mandato começa com desafios políticos e econômicos
A nova vitória reforça a capacidade de recuperação eleitoral de Lula, mas não elimina os obstáculos para governar. A negociação com o Congresso, as pressões sobre as contas públicas e a cobrança por melhorias na segurança, na saúde e no custo de vida estarão entre os principais desafios.
A votação expressiva de Flávio Bolsonaro também mostra a força da oposição. Lula seguirá no comando do país diante de uma sociedade politicamente dividida e terá de transformar a vitória eleitoral em capacidade de articulação e entrega de resultados.