A prorrogação da votação deste domingo, 25 de outubro, até as 19h, pelo horário de Brasília, provocou dúvidas entre eleitores e mesários. A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, tornou-se pública quando parte das seções eleitorais já havia encerrado os trabalhos, com boletins de urna impressos e equipamentos preparados para devolução.
A medida foi determinada após uma ação da campanha de Lula que relatou dificuldades de deslocamento provocadas por restrições no transporte coletivo. O objetivo declarado foi ampliar a oportunidade de voto para os eleitores prejudicados.
A campanha de Flávio Bolsonaro também havia solicitado extensão do horário, em pedido voltado a 17 municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Nesse caso, os argumentos incluíam chuvas, alagamentos e obstáculos de acesso aos locais de votação. A candidatura pediu ainda que a divulgação dos resultados aguardasse o encerramento do prazo adicional nas localidades contempladas.
Urnas encerradas geram dificuldades
O principal impasse surgiu nas seções em que a votação já havia sido finalizada. Mesários em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Brasília relataram dúvidas sobre como cumprir a determinação, uma vez que equipamentos encerrados não poderiam simplesmente voltar a receber votos.
Também houve relatos de eleitores que chegaram depois das 17h e não conseguiram votar, apesar da ampliação do horário. A situação exige esclarecimentos sobre quais seções permaneceram em funcionamento, quantas pessoas foram atendidas no período adicional e como serão tratados os casos em que o cumprimento da decisão não foi possível.
A divulgação da apuração, que já havia começado, foi interrompida após a determinação. Naquele momento, apenas uma pequena parcela dos votos estava contabilizada, sem permitir uma conclusão sobre o resultado presidencial.
Questionamentos precisam ser acompanhados de provas
A combinação entre mudança de horário, seções encerradas e interrupção da divulgação dos resultados abre espaço para questionamentos sobre a condução do processo. Entretanto, não foi possível confirmar a dimensão da circulação, nas redes sociais, de acusações de fraude relacionadas especificamente à prorrogação.
Até o fechamento desta matéria, não havia sido identificada, nesta apuração, evidência verificada de adulteração de votos decorrente da medida. A pausa na divulgação e as dificuldades operacionais, isoladamente, não comprovam manipulação do resultado.
Isso não elimina a necessidade de fiscalização. É necessário esclarecer quando cada seção recebeu a orientação, quais procedimentos foram adotados e se eleitores em situações equivalentes tiveram a mesma oportunidade de votar.
O ponto central é garantir transparência sobre o que aconteceu. Os registros das seções, os boletins de urna e as comunicações aos mesários serão fundamentais para avaliar o alcance dos problemas e apurar eventuais irregularidades, sem transformar dúvidas em conclusões antecipadas.