A ampliação do horário de votação até as 19h tornou-se um dos episódios mais controversos do segundo turno. A decisão foi comunicada quando milhares de urnas já estavam encerradas, sem possibilidade de voltar a receber votos.
Na aplicação da medida, a continuidade da votação ficou restrita às seções que permaneciam abertas. O cenário provocou dúvidas entre mesários e eleitores e passou a integrar os argumentos da contestação anunciada por Flávio Bolsonaro.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, reconheceu dificuldades técnicas e operacionais. O recebimento dos boletins de urna foi suspenso temporariamente, gerando acúmulo de arquivos à espera de processamento.
Apesar dos transtornos, o ministro afirmou que as equipes conseguiram dar continuidade aos trabalhos e que a prorrogação não comprometeu a apuração nem o resultado.
O episódio deixa questões que precisam ser esclarecidas: quando as orientações chegaram às seções, quantas permaneceram abertas e qual foi o alcance efetivo do atendimento durante o prazo adicional.
As denúncias de dificuldades no transporte de eleitores também precisam ser investigadas, com identificação das responsabilidades e das localidades afetadas.
A fiscalização desses acontecimentos é necessária. Entretanto, problemas de organização não demonstram, por si só, adulteração de votos. A avaliação de eventuais irregularidades deverá considerar documentos, registros das seções e evidências sobre seus efeitos no processo eleitoral.