Um brasileiro de 28 anos, identificado como Luiz Guilherme Silva Gonçalves, foi preso no último sábado (18) em Ciudad del Este, no Paraguai, após ser flagrado em via pública por agentes da Polícia Nacional. Contra ele, havia 14 mandados de prisão em aberto no Brasil, expedidos entre 2025 e 2026 pela Justiça do Rio de Janeiro, com base em investigações por crimes de estelionato.
Luiz Guilherme é apontado como ex-dono da Elgui Store, empresa que ficou conhecida na Região Sul Fluminense por um suposto esquema de fraude envolvendo a venda de eletrônicos. O nome dele já era familiar na região desde 2021, quando vieram à tona denúncias relacionadas à atuação da loja, que mantinha um ponto físico em Barra Mansa.
A abordagem ocorreu por volta das 17h35, na avenida Bernardino Caballero, nas proximidades do Centro Regional de Educação, em Ciudad del Este. Segundo a polícia paraguaia, a equipe da Unidade Motorizada realizava patrulhamento de rotina quando localizou o suspeito. Após a detenção, foi feita a verificação de dados, confirmando a existência dos diversos mandados judiciais no Brasil.
Na manhã de domingo (19), o brasileiro foi expulso do território paraguaio e entregue à Polícia Federal na região de fronteira, onde passou a ficar à disposição da Justiça.
Esquema enganava consumidores com produtos abaixo do preço
De acordo com as investigações, a Elgui Store atraía clientes com anúncios de eletrônicos — como celulares, videogames e relógios, principalmente da marca Apple — vendidos a preços muito abaixo do mercado. As ofertas eram divulgadas, em grande parte, pelas redes sociais.
Após o pagamento, geralmente feito à vista, os consumidores recebiam prazos de entrega que não eram cumpridos. Em muitos casos, os produtos nunca eram entregues, e os valores pagos também não eram devolvidos.
À época, estimativas apontavam um prejuízo superior a R$ 6 milhões. A repercussão foi grande em cidades como Volta Redonda e Barra Mansa, com registros de diversas ações judiciais, tanto individuais quanto coletivas.
Investigações enfrentaram dificuldades
Segundo advogados que representam vítimas, o andamento dos processos enfrentou obstáculos ao longo dos anos, principalmente pela dificuldade em localizar os responsáveis e identificar bens que pudessem ser utilizados para ressarcimento. Há indícios de que patrimônios tenham sido ocultados ou transferidos para terceiros.
Uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público chegou a reunir mais de 10 mil páginas, evidenciando a dimensão do suposto golpe. Apesar disso, muitas vítimas ainda aguardam um desfecho judicial e a recuperação dos valores perdidos.
O caso reforça a importância da cooperação entre autoridades brasileiras e paraguaias no combate a crimes transnacionais, especialmente em regiões de fronteira.